Cardus Edição 48, 15-01-2019

NOVA, Nova school of Business & Economics

Quem circule regularmente pela marginal deve ter reparado desde há uns tempos num conjunto de edifícios que foram nascendo perto da rotunda da praia de Carcavelos, em frente ao Forte de São Julião da Barra. Pois bem, fui um dos que viu nascer o complexo, que afinal corresponde ao novo campus da Nova School of Business & Economics (Nova SBE) inaugurado oficialmente no dia 29 de setembro, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que como sabemos está em todas, ou se não está telefona.

O novo campus ocupa uma área de 46.000 m², conta com 55 salas e 26 anfiteatros, um espaço de estudo aberto 24h, serviços como supermercado, ginásio e clínica médica e ainda com um túnel de acesso direto à praia, que, contudo, ainda não foi aberto, segundo me disseram por estar em falta a iluminação obrigatória.

A Nova SBE é uma das seis faculdades da Universidade Nova de Lisboa (UNL), e é pública. Do que me apercebi é uma faculdade inovadora, afasta-se nitidamente do modelo tradicional muito centrado no professor, privilegiando o contacto e interação com outros alunos, professores e até empresas. Os alunos dispõem dum Sistema de Aconselhamento Curricular, que pode incluir a nomeação dum tutor, e ainda um Gabinete de Apoio Profissional (GAP) que os apoia na obtenção de estágios e, posteriormente, na procura do primeiro emprego. A escola aposta também em disciplinas menos técnicas como sejam Comunicação, Liderança e Ética e Implementação de Projetos, com caráter obrigatório, hoje em dia competências fundamentais para o sucesso duma carreira profissional.

A faculdade tem referências internacionais, 40% dos alunos são estrangeiros, todas as aulas são dadas em inglês. Está em 30º lugar no ranking das universidades europeias.

A faculdade está ligada à Fundação Alfredo de Sousa, não percebi bem o modo de governo entre as duas entidades, sei apenas que a fundação é responsável pela angariação de fundos e investimentos. Por um processo altamente inovador, a fundação já conseguiu angariar 47 dos 50 milhões necessários para erguer o complexo: os donativos iniciam-se nos €50; O nome numa sala de aulas custa €75000, num banco €2500 e numa pedra do passeio dos fundadores €1000. O maior doador internacional foi Ming C. Hsu, uma empresária e filantropa de Taiwan que doou nada menos do que €2 milhões. O Santander também deve ter contribuído bem, tal como o grupo Jerónimo Martins, uma vez que têm o nome nos blocos e espaços mais vistosos. Uma grande contribuição veio também de individuais nomeadamente de ex-alunos, um dos quais meu sobrinho, que não anda propriamente a nadar em dinheiro, mas que achou por bem responder ao apelo da escola que o formou.

Tive o prazer de visitar as instalações recentemente, o campus é um espaço amplo, blocos de edifícios baixos, paredes brancas e muito, muito vidro. Foi desenhado pelos arquitetos António Barreiros Ferreira e Vítor Carvalho Araújo, é uma estrutura moderna, mais parece um centro de negócios ou de congressos do que uma universidade. De onde quer que se esteja vê-se o mar (para alargar horizontes), os espaços à volta estão, ou irão estar, todos ajardinados. Também se vê o céu, alguns tetos são mesmo amovíveis. Gostava de ter estudado numa universidade assim, nos meus tempos estudava-se à luz do candeeiro a petróleo, as salas de aula eram uns barracões pré-fabricados, mesmo assim um luxo comparado com as barracas do musseque vizinhas da faculdade.

Nos intervalos do estudo os alunos têm praia ao lado, onde podem nadar ou surfar se preferirem, estou a imaginar uma bela banhaça ou surfada antes do exame para relaxar e refrescar ideias. Lá mais para o verão, provavelmente os alunos vão para as aulas já em calções de banho e toalha ao pescoço, eventualmente algum professor inovador até vai achar que as aulas na praia são mais eficientes e participativas, até posso concordar com isso, preciso é de me despir do meu conservadorismo académico, o que não me é muito fácil. É assim, até mesmo antigamente se dizia que a melhor vida que há é a de estudante.

Página Web da NOVA