Cardus Edição 59, 01-07-2019

Ser Mais Valia: a vontade que nos move


A Ser Mais Valia (SMV) chegou a Cacine, mas esta Associação esteve já noutras paragens da Guiné-Bissau tal como noutros países dos Palop.

São os voluntários da Ser Mais Valia –Associação de Voluntariado para a Cidadania e Desenvolvimento, que chegam a África para cumprirem o seu desígnio de voluntariado.

São profissionais das áreas da saúde, das ciências da educação, das engenharias, da gestão, juristas e especialistas noutras valências, que no aproximar do termo do seu percurso profissional, encontraram no voluntariado uma oportunidade de optimizar saberes, competências experiência acumulada, colocando estas “mais valias” ao serviço de outros e das comunidades, integrando projectos de apoio ao desenvolvimento, num exercício activo de cidadania e intervenção social.

Têm mais de 55anos, mas partilham da visão que envelhecer participando continuadamente nas questões sociais, económicas, culturais, espirituais e cívicas, produz um efeito de saúde e satisfação garantia de qualidade de vida dos cidadãos.

Em novembro de 2016 nasceu a Associação Ser Mais Valia.

Somos hoje 66 associados que integram a bolsa de voluntários, mas alguns de nós iniciámos este percurso de voluntariado em 2013, quando a Fundação Calouste Gulbenkian lançou o Projecto Mais Valia, apostando no contributo do voluntariado sénior no desenvolvimento de uma sociedade que valoriza todas as etapas da vida dos cidadãos.

A Ser Mais Valia configura-se no quadro das ONGD nacionais como parceiro estratégico que, através de um voluntariado técnico e experiente, pretende constituir um reforço aos projectos de ajuda ao desenvolvimento em Portugal, África e noutros países. São áreas fundamentais de atuação da Associação, designadamente, a educação, a saúde e a cidadania.

Atuamos em parceria com Instituições Públicas e da Sociedade Civil, ONGD nacionais e internacionais, integrando projetos de cooperação, que visem apoiar o reforço institucional, capacitar indivíduos e as suas comunidades, promover o desenvolvimento sustentável em alinhamento com as necessidades identificadas localmente, no âmbito das áreas de competência dos voluntários da Associação.

Até ao momento os voluntários da SMV realizaram 40 missões nos diferentes países dos Palop às quais se irão juntar as 14 previstas no plano de actividades do corrente ano. Em Portugal decorrem três projetos, sendo dois na área da educação e outro na área da cidadania.

Passados que estão quase três anos de actividade da SMV, se alguém nos perguntar qual o balanço do trabalho realizado, qualquer um de nós vai responder que “o que fazemos é uma gota de água no oceano, mas sem ela o oceano seria menor”

E talvez acrescentasse, que esta vontade de partilhar com os outros as nossas mais valias, tem tido um efeito de mais valia em cada um de nós.

Lisboa, Junho 2019
Mafalda França