Cardus Edição 44, 15-11-2018

Armistício da Grande Guerra 1918 - 2018

Este selo, comemorativo do centésimo aniversário do fim da primeira guerra mundial, foi emitido pelos Correios de Portugal em nove de agosto do ano corrente. A imagem é do soldado Clemente, a figura mais icónica do levantamento fotográfico feito durante a I Guerra Mundial, segundo me diz a pagela da emissão.

O Armistício da Grande Guerra, também conhecido como Armistício de Compiègne, foi um tratado assinado em 11 de novembro de 1918 entre os Aliados e a Alemanha, dentro de um vagão-restaurante, na floresta de Compiègne, com o objetivo de encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. Seguiu-se ao armistício o tratado de paz de Versalhes, celebrado no ano seguinte, com o que terminou definitivamente a guerra.

Este aniversário foi grandemente celebrado em Portugal e na Europa, os meios de comunicação estiveram muito ativos, foi coligida, tratada e divulgada muita informação sobre este acontecimento. A grande vencida desta primeira guerra foi a Alemanha, que - “ai dos vencidos” - se comprometeu a reduzir as suas tropas para metade, pagar pesadas indemnizações aos países vencedores, ceder todas as suas colónias e restituir a Alsácia-Lorena à França. Como vemos, uma fatura nada meiga, que deixou muitas marcas no país, mais tarde usada por Hitler para ascender ao poder e desencadear nova guerra, cujo desfecho não foi muito diferente.

Daquilo que me foi dado ler e ouvir, concluo que a participação de Portugal nesta guerra, via Corpo Expedicionário Português, não foi nada brilhante, muito menos prestigiante. O chamado milagre de Tancos que consistiu em pegar em 55000 pacatos cidadãos, dar-lhes uns meses de treino e mandá-los para a Flandres como soldados prontos para a guerra, teve o desfecho previsível: só na batalha de La Lys houve 7 500 baixas e mais de mil mortos por impreparação, desorganização e outros fatores externos que também ajudaram ao desastre. Para salvar o orgulho nacional restou-nos o soldado Midões, o único militar português condecorado, num campo de batalha, com a mais alta honra nacional, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

O Armistício trouxe a paz à Europa, o depois da guerra está na poesia de António Gedeão:

Depois os lavradores
Rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados,
E a terra dará vinho, pão e flores
Adubada com os corpos dos soldados.

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