Cardus Edição 29, 01-04-2018
O selo desta quinzena representa a bandeira-monumento de Angola e foi emitido pelos correios de Angola em 4 de maio de 2013.
Trata-se duma bandeira especial porque pesa cerca de 40 quilos, tem 18 metros de comprimento e 12 de largura. O mastro que a suporta tem 75 metros de altura, um diâmetro na base de 150, no topo de 30 cm e está fixado numa base de 200 metros cúbicos de betão. O conjunto suporta ventos até 200 quilómetros, está colocado no atual Museu Nacional de História Militar, antiga fortaleza de S. Miguel, um ponto já de si também alto o que faz com que a bandeira possa ser vista a partir de qualquer ponto da baixa de Luanda e alguns arredores. A cerimónia do içar e arriar da bandeira requer um grande envolvimento de pessoas e máquinas, talvez por isso, a cerimónia só é realizada em datas especiais, em média 12 vezes por ano.
Não conheço nenhuma nação que não tenha um hino e uma bandeira. São símbolos muito fortes, muito ligados ao nacionalismo, as nações necessitam destes símbolos para criar um sentimento de identificação comum próprio. O içar da bandeira é sempre uma cerimónia especial, é também emocionante ouvir o hino nacional, seja numa parada militar, seja em jogos da seleção, a cereja em cima do bolo é quando um dos nossos atletas olímpicos ganha uma medalha de ouro, o que infelizmente raramente acontece.
Existe uma grande cultura da bandeira em muitos países, os americanos andam com a sua por todo o lado, pode-se inclusivamente comprar pijamas com as respetivas cores e desenho. Uma casa nórdica a sério, tem de ter um mastro e a bandeira do país içada, sempre que a rainha faz anos ou se comemora uma data especial que pode ser, por exemplo, estar um dia cheio de sol.
Aqui pelo nosso cantinho somos mais discretos, gostamos da bandeira, mas não o demonstramos muito, apenas um senhor brasileiro conseguiu há alguns anos por uma bandeira em cada janela dos lares portugueses. Temos um herói que por se ter sentido ofendido na sua honra se imolou envolto na bandeira nacional, só procuramos a bandeira (e mesmo assim nem toda a gente) em casos solenes como, por exemplo, quando fazemos qualquer coisa de notório e temos as câmaras da televisão por perto.
Algumas bandeiras são identificadas por um nome próprio (a “Star and Stripes” é por demais conhecida), nem sempre o mais conveniente, por exemplo, na altura da guerra colonial, os soldados aquartelados no interior isolado de Angola, cercados por arame farpado, do qual não podiam sair sob pena de já não voltarem, referiam-se à bandeira, que todos os dias tinha de ser hasteada e arriada, como o “trapo”.
Enfim o tema das bandeiras e a sua utilização política ou sentimental dava para escrever um livro, ficamos por estes breves comentários, não cabe mais nada neste pequeno espaço, nem há mais nada na cabeça do autor.