Cardus Edição 42, 15-11-2018

C. F. B.

CFB é o acrónimo para Caminho de Ferro de Benguela, um termo nostálgico para quem trabalhou nele, ou é filho do agente 1128/Ascenso, ou viveu na zona central de Angola nos tempos coloniais.

O Caminho de Ferro de Benguela ia de Lobito a Teixeira de Sousa, foi criado para transportar para o mundo industrial os minérios do Katanga do antigo Congo Brazzaville. Devido à guerra da independência (1975) a linha ficou praticamente desativada, os minérios passaram a sair por outro lado. A linha começou a ser reconstruída há uns anos atrás, finalmente, a 5 de março deste ano, uma composição com um carregamento de mil toneladas de concentrado de manganês, foi transportado do agora Luau (ex. Teixeira de Sousa) para o porto do Lobito e daqui para o mercado internacional. O CFB renasceu, voltou a cumprir a missão para que foi criado.

O CFB dos anos 60, não tem nada a ver com o dos anos 80, também não tem nada a ver com o atual. Apenas a sigla e o objetivo inicial se mantêm. Como nostálgico do CFB, assim como que para comemorar este renascimento, preparei um pequeno vídeo de imagens em que misturo passado e presente, claro as imagens do passado já um bocado debotadas pelo tempo, mas ainda reconhecíveis por quem as viu ao natural como foi o meu caso.

O vídeo tem acompanhamento musical, a canção chama-se kurikutela, os autores e intérpretes já morreram, eram o Duo Ouro Negro que, quem já tem alguma idade, recorda com certeza. A canção é sobre as emoções das viagens de comboio, as partidas e as chegadas, sempre um grande acontecimento nas vilas e aldeias ao longo da linha.