Cardus Edição 41, 01-10-2018
O Forte de São João das Maias é um pequeno forte construído após a Restauração, no reinado de D. João IV, que se situa em Oeiras, entre as praias de Paço de Arcos e Santo Amaro. É uma das fortificações que existem ao longo da barra do Tejo, foram construídas ou melhoradas durante a guerra da restauração, o objetivo era proteger o porto de Lisboa de eventuais ataques do exterior o que, suponho, nunca foi o caso; ou as fortificações exerceram um efeito dissuasor sobre os eventuais atacantes ou então ninguém se pôs a isso, nem tão pouco Franco, apesar de ter estudado o caso, com a sua tese de generalato “como invadir e ocupar Portugal em três dias”.
O Forte já teve uma série de donos, já foi remodelado muitas vezes, estava há poucos anos numa completa degradação. Nesta data está sob tutela dos Serviços Sociais das Forças Armadas, que o usa para colónia de férias. O interior do forte está vedado ao público não sendo permitidas visitas.
Não se pode ver por dentro, pode-se por fora, o forte é um marco paisagístico no passeio marítimo de Oeiras. Uma noite, quando corria ao lado das amuradas, fui surpreendido por música de orquestra, bastante agradável, que vinha do interior, provavelmente as Forças Armadas celebravam algum acontecimento importante. Infelizmente foi essa vez e nunca mais, ou as forças armadas deixaram-se de celebrações musicais, ou caso contrário estão fora dos meus horários de passeio. É pena, porque se ouvia a orquestra muito bem e apreciava-se a paisagem, coisa que os do interior não podiam fazer.
Bom, e agora vem o título da crónica, o forte está pintado de fresco, cor de salmão, é altura para ir vê-lo. Façam uma pausa nos afazeres, vão até ao passeio marítimo, sintam a brisa marítima na face, olhem para o grande chão de água que é o Tejo azul, bebam um refresco numa das esplanadas à beira rio, caminhem mesmo um bocado pela praia, apesar da areia da qual vem sempre um pedaço para casa, e concentrem-se então um bocadinho no forte, vão ver que não dão o tempo por perdido. Têm é de ser rápidos, os Grafitters já estão a afinar os sprays e as verbas para a tinta do exército não permitem que o forte seja “limpo” mais vezes.