Cardus Edição 33, 01-06-2018
O nome oficial do Estádio Nacional é Estádio de Honra do Centro Desportivo Nacional do Jamor, contudo, é pelo primeiro nome que é geralmente conhecido, como o foi oficialmente até 1987.
Para mim o Estádio Nacional é tudo, não só o campo de futebol propriamente dito, como também todos os equipamentos desportivos que existem à volta dele, desde a pista de canoagem até à pista de cross.
Vivi bastante tempo perto do Estádio, foi lá que criei hábitos de corrida, foi lá que todos os meus filhos praticaram durante alguns anos atividades desportivas desde ténis à natação. Há mais de trinta anos que o conheço, acompanhei todas as alterações e criações de novos espaços, vi, inclusivamente, Carlos Lopes, ganhar uma corrida internacional numa pista especialmente criada para o efeito e que serviu durante muitos anos para o meu jogging periódico. Lembro-me que nos primeiros tempos um pastor pastava o seu rebanho de cabras regularmente nos terrenos do estádio, cheguei a correr rodeado de cabras e lembro-me também do cão do pastor, um rafeiro pequeno e calmo, mas que à primeira assobiadela, chegada a hora de voltar para casa, em escassos minutos juntava as cabras todas num pequeno círculo, por mais dispersas que estivessem. A zona do estádio chegou ainda a ser utilizada para corridas de todo o terreno, em boa hora retiradas do local, alguns corredores motorizados usavam a pista para treinos não oficias, a partilha do espaço por atletas e motorizados nem sempre corria da melhor maneira.
O Estádio de Honra é uma peça arquitetónica, uma concha encravada na montanha, rodeada de árvores (não conheço mais nenhum), um espaço aberto, onde cabem 37500 espectadores. Não cumpre as regras de segurança modernas, daí não poder ser utilizado para competições internacionais, apenas uma vez por ano (e nem sempre) é o palco das finais da taça de Portugal, com hino e gente importante na tribuna de honra. A final da taça é um grande espetáculo, não só dentro das quatro linhas, como também cá fora, antes e depois do jogo, em todo o lado há tasquinhas, piqueniques e gente bem-disposta, as cores generalizadas são as das equipas da final.
O Estádio de futebol é pouco utilizado, não é o caso do resto do parque, onde a qualquer hora e dia se encontra sempre gente praticando desporto, em equipa, em família ou mesmo individualmente. Há muitas atividades no espaço, vê-se regularmente muitas crianças escolares por lá, o que me leva a crer que o espaço é também utilizado pelas escolas da zona.
Vem agora o título desta crónica, a taça deste ano (a feminina) foi disputada entre o Sporting e o Braga, ganhou o primeiro. Um grande golaço de Diana Silva, de fazer inveja a qualquer dos seus colegas masculinos, fez a diferença.
Cardus, 1/6/2018