Cardus Edição 29, 01-04-2018

Chegou a Primavera

Chegou a primavera e de repente o país parece um jardim florido, muita cor, muito brilho, verde por todo o lado. Um familiar de fora disse-me que Portugal era muito bonito na primavera e concordo inteiramente com ele. Apesar de o inverno não ser muito rigoroso em Portugal (no Algarve até é bastante ameno), a chegada da primavera é um acontecimento desejado, as pessoas melhoram o ar sisudo, sentem-se mais leves, começam a aparecer os sorrisos, floresce a natureza, florescem as pessoas, belezas escondidas abrem-se para ver o sol.

O Alentejo que no verão parece o deserto do Sahara, na primavera está coberto com um manto verde, é um prazer para a vista andar ou viajar por ele, é uma paisagem sem barreiras, é só andar a direito, a linha do horizonte está sempre muito distante.

Acontecem nesta altura as festas da primavera, é uma espécie de aquecimento para o exagero das festas de verão em que, onde quer que se esteja, todos os fins de semana há festas, tasquinhas, música e foguetes no ar, infelizmente com alguns incêndios à mistura (não somos responsáveis por nada, a culpa é toda do governo).

A primavera tem ainda a maravilha de limpar o país, isto porque todo o plástico, papel, beatas, isto é, todo o lixo que descontraidamente e sem qualquer tipo de vergonha atiramos borda fora (temos muito cuidado com a limpeza das casas, mas muito pouco ou nenhum com os espaços que nos rodeiam) é momentaneamente encoberto pelo verde natural, quem nos visitar nesta altura até vai pensar que somos um povo civilizado, que tratamos bem do nosso jardim, que temos uma grande cultura ambiental.

Ninguém como os poetas para cantar a primavera, uma volta pela net e descobre-se muita música desde Fernando Pessoa a José Régio passando por Florbela Espanca. Registo aqui, contudo, apenas um pensamento muito simples de Anne Bradstreet, que confesso não sei quem é nem o que faz:

Se não tivéssemos inverno, a primavera não seria tão agradável, se não experimentássemos alguma vezes o sabor da adversidade, a prosperidade não seria Benvinda.

Bom, é altura de ir para a rua. Tenho alguém á minha espera, alguém com 250 kg de peso e que debita 100 cavalos (+ 1) nas rodas que são só duas. Não vai chover, sol por todo o lado, estou aqui a perder tempo a escrever coisas que ninguém lê, vamos mas é à vida, vvvrrruuuuuuuummmmm, adeus ó vai-te embora.