Cardus Edição 20, 15-11-2017

Calçada Portuguesa

Este selo foi posto em circulação pelos CTT de Portugal em 28-07-2016. Compõe-se basicamente de uma foto do passeio da avenida da liberdade em Lisboa e da caravela e o corvo, símbolos da cidade. O selo está integrado numa série denominada calçada portuguesa, que contempla mais três selos, com exemplares de calçada portuguesa no Porto (Praça Velasquez), Funchal (praça do município) e Urzelina na ilha de S. Jorge nos Açores. Num bloco de quatro selos podem ainda ser vistas as calçadas da Praça Ferreira do Amaral em Macau, Ellis Street em S. Francisco na Califórnia, La explanada de España em Alicante e o passeio da avenida Quintino Bocaiúva em Niteroi no Rio de Janeiro.

Há cerca de trinta anos fui pela primeira vez à Alemanha, qualquer coisa de excitante para quem, até à data, apenas conhecia a selva africana e este pequeno retângulo à beira mar plantado. Na Alemanha tudo era em grande, tudo era verde, tudo estava bem arranjado e organizado, transportes bons e rápidos, tudo limpo, tudo uma maravilha, exceto os passeios que não tinham graça nenhuma, foi esta a mensagem que passei para Portugal, quando me perguntaram pelas primeiras impressões da terra. Efetivamente passeios construídos com pequenos retângulos de betão encostados (ou chumbados) uns aos outros, não têm nada a ver com a nossa vistosa calçada portuguesa.

A calçada portuguesa é uma marca nacional, desenhar figuras no chão com pedrinhas brancas e pretas foi uma ideia original e inovadora, com a primeira realização (Mar largo) a ter lugar na praça do Rossio em Lisboa em meados do século XIX. Os primeiros calceteiros eram presidiários, devidamente agrilhetados para não fugirem ao trabalho, passaram depois a operários, ainda a artesãos reconhecidos, estão hoje em dia em vias de extinção, os mestres calceteiros atuais já nem chegam para manter as calçadas existentes.

Há belos exemplares de calçada pelo país fora, a série de selos apresenta apenas alguns. A calçada portuguesa exportou-se, é visível em muitas praças e passeios do mundo e não é só no mundo lusófono. Simetria e geometria são apanágio da calçada, há motivos que são uma alegria para os olhos, caminhar sobre arte é lúdico, mas, cuidado, também perigoso. E aqui está o problema atual da calçada portuguesa que tem dado origem a muita discussão, esperemos que prevaleça o bom senso, que não acabe a calçada e que esta passe a ser melhor tratada, mantida e estimada e colocada em lugares criteriosamente selecionados.