Cardus Edição 14, 15-08-2017
Este selo faz parte duma série de quatro intitulada “Árvores do Mediterrâneo” que foi emitida pelos correios de Portugal em 10 de julho do ano corrente.
Na série estão representados o sobreiro, o catapereiro ou cachipirro (que não conhecia, mas que fiquei a saber que é uma espécie de pereira brava de porte pequeno), o medronheiro e a oliveira, cujo exemplar pode ser visto acima e ao qual vou dedicar alguma atenção:
Como sabemos Portugal não é banhado pelo mediterrâneo. Numa picardia saudável com um espanhol que afirmava a pés juntos que nós éramos um país mediterrânico, respondi-lhe com um ligeiro levantar de cabeça e movimentos de mãos apropriados, que não, que somos um país atlântico, que o nosso mar é o atlântico, muito mais aberto, muito maior, muito mais abrangente que o limitado e pequeno lago mediterrâneo. Bom, à parte este laivo de nacionalismo de bairro, a realidade é que o espanhol tinha razão, embora não sendo banhados pelo mediterrâneo, o nosso clima, a nossa flora e a nossa cultura são mediterrânicas.
A Oliveira é a árvore mediterrânea mais conhecida, tem uma grande representação no nosso país. Não nasceu cá, parece que nos foi trazida pelos fenícios e romanos do próximo e médio oriente de onde é natural, mas faz parte na nossa paisagem, dá-se muito bem com o nosso clima (mediterrâneo), caracterizado por verões quentes e secos e invernos frescos e húmidos.
Tenho uma certa paixão por oliveiras, tenho três plantados no meu quintal, tantas quantos os filhos que tenho. Admiro nas oliveiras a sua capacidade de resistência, os seus troncos fortes e bojudos, os ramos que emergem de troncos velhos, aparentemente cansados, as folhas pequeninas e bem desenhadas, adoro comer azeitonas, adoro o cheiro dos lagares.
A oliveira tem uma característica que me toca um pouco, porque ao contrário de mim que desisto à primeira contrariedade, a oliveira nunca desiste: cortem-lhe os braços, a cabeça, o que quiserem, não a conseguem demover de querer viver. Logo a seguir à desgraça, é vê-la recomeçar, rebentos que aparecem, cada vez maiores, que passam a ramos, que se cobrem de folhas pequenas, e onde, na altura certa, lá estão novamente os pequenos grãos alinhados, num ciclo continuo, que nada pode parar. E mesmo que lhe cortem as raízes, há sempre os restos que ficam, que se agarram à terra, que penetram nela, que emergem dela, aqui já não é recomeçar, o termo aqui é mesmo renascer.
Adoro oliveiras …