Cardus Edição 13, 01-08-2017

Cavalo das Ilhas Sable, Canadá


Estes dois selos foram emitidos pelos correios do Canada em 2005, integrados numa série sobre a vida selvagem, a qual, para além do Falcão peregrino e Cavalo da ilha de Sable aqui representados, contemplou ainda o urso castanho, a mobelha, o urso polar, o alce, o veado, a morsa do atlântico e a Baleia Azul. A série foi sendo emitida ao longo dos anos fechou-se em 2015 com um selo sobre a Baleia Azul.

O falcão peregrino não me despertou grande curiosidade, a ilha de Sable e o respetivo cavalo sim, graças à Wikipédia partilho as seguintes curiosidades sobre estas duas maravilhas da natureza:

A ilha Sable terá sido descoberta pelo navegador português João Álvares Fagundes nos anos de 1520 – 1521. É um longo cordão dunar arenoso, com 34 km2, 42 km de comprimento e uma largura máxima de 1,5 km. A altitude máxima não ultrapassa os 30 m. Está situada no Oceano Atlântico Noroeste, a cerca de 180 km ao largo da costa sueste da província canadiana da Nova Escócia. O pronto mais próximo no continente é o Cabo Canso (Nova Escócia), sito 160 km para noroeste.

A ilha é o resultado da constante migração das areias empurradas pelos ventos e pelas correntes marinhas. Dos 42 km de comprimento que o cordão hoje tem, apenas 38 correspondem a dunas relativamente fixas, sendo o restante composto por bancos de areia, geralmente emersos. O facto de estar situada numa zona de baixios, nevoeiros e tempestades frequentes, levou a que a ilha se tornasse rapidamente no maior cemitério de navios do mundo, com mais de 500 naufrágios registados e pelo menos 300 restos de navios nas suas costas e bancos adjacentes.

Apesar da constituição arenosa, a ilha tem muita vegetação devido à abundância da precipitação e baixa evaporação, resultante das temperaturas moderadas e da saturação do ar.

Uma maravilha destas tem naturalmente de estar protegida, mas aqui estamos descansados, pois a ilha é uma reserva natural com acesso restrito, sendo os seus únicos habitantes, os faroleiros e pessoal da Guarda Costeira canadiana e os observadores meteorológicos e cientistas empenhados em estudos atmosféricos ou de ecologia, biologia ou geologia da ilha e das águas circundantes. A visita à ilha é condicionada desde 1801, sendo necessária autorização prévia da Guarda Costeira do Canadá. Por ano a ilha recebe apenas entre 50 a 100 visitantes e o único alojamento existente é a estação meteorológica.

A história do cavalo também é interessante: é de raça pequena, tipo garrano, e resulta, ao que parece, de cavalos de origem do Norte de Portugal, de onde era natural o nosso conterrâneo descobridor da ilha. Existe outra versão, que diz que os cavalos tem origem num comerciante de Boston, que os confiscou aos acadianos quando estes foram expulsos do Canada, que os deixou na ilha e que, pelos vistos, se esqueceu de os ir buscar. Por uma razão ou outra o certo é que 300 anos de isolamento deram origem à atual raça dos Cavalos verdes de Sable.

A população de cavalos é controlada pelo Canada, que chegou, em alguns invernos rigorosos, a lançar feno de avião, para evitar que morressem à fome. Esta prática parece que foi, contudo, suspensa, numa tentativa de deixar os fatores naturais controlarem a população de cavalos, já que estes têm um profundo impacto sobre a vegetação e as restantes espécies que usam a ilha, havendo quem advogue o seu extermínio puro e simples para devolver a ilha às suas condições naturais.

A ilha não é só cavalos, as praias e os bancos de areia adjacentes são habitados, para além de leões marinhos, por colónias de focas comuns e de focas cinzentas, que têm ali um dos seus territórios de reprodução mais protegidos.