Cardus Edição 9, 01-06-2017

Decoração Urbana

Quem apanha o Metro na estação Amadora Este pode observar estes murais pintados sobre as paredes de dois prédios que esperam pelo vizinho planeado. Os artistas retratados são por demais conhecidos, Amália e Carlos Paredes são figuras indissociáveis do fado.

Alguém me disse que Portugal é um dos poucos países da Europa, senão mesmo o único, que tem uma canção própria. Todos sabemos que o fado foi reconhecido como património mundial, é uma atração turística pelo menos nos bairros antigos de Lisboa, não há turista que não queira assistir a uma sessão quanto mais não seja para a registar no seu diário de viagens.

Tal como em quase tudo na vida o fado tem quem viva bem e quem viva mal com ele. Os grandes nomes do fado provavelmente vivem bem, a grande maioria dos (as) fadistas parece-me que vive mal. Fui poucas vezes aos fados, sempre que fui saí sempre incomodado: há quem cante por um prato de sopa, há quem por alguma razão persista em cantar quando a voz já não ajuda, há muitos fadistas para espaços muito pequenos, há um grande culto da tristeza, há muita miséria à volta do fado.

Nota: no interior da urbanização pode ainda ser visto pelo menos mais um mural onde é retratado José Afonso.